domingo, 1 de março de 2009

...



Reflexões Dispersas de um Carnaval sem Samba



Sensação de morte. Há tempos eu não me sentia assim. Minha fuga desceu pelo ralo e acabei chorando durante o sono as mágoas da vida consciente. Chorei à noite e pedi socorro. Nem me lembro mais. A tristeza chegou e eu a tratei como uma noite de sexo casual. No fundo é como se tudo perdesse o sentido. Eu estou numa chácara ao redor de várias pessoas que riem. Eu olho a paisagem como um filme. A silhueta das árvores. Lindas, porém tristes. Será que consegue me entender? E toda essa máscara também parece com uma noite de sexo casual. Patética. Se não, não sentiríamos falta de alguém único para estar junto. E todos continuam rindo e rindo e rindo e...

2° Dia. Silhueta das montanhas. Canto de pássaros. Não se vê nenhum tipo de asfalto. Aqui não é cinza. As folhas verdes amareladas sorridentes...

Aqui eu respiro diversas sensações visuais. Aqui é tão lindo, uma pena ter grades para a propriedade. Estranhamente, viajei alguns quilômetros para desfrutar dos mesmos prazeres da cidade. Há uma nuvem cinza que rodeia esse lindo céu posto acima de minha cabeça. Aqui, talvez, eu me sinta menos fracassada. Aqui, não tenho que virar a cara para verdades, eu simplesmente às esqueço. Uma tacada na sinuca, uma vitória ou não, uma bebida, uma conversa, um cigarro. Tento não querer mais nada. É tenso! Parece que quando eu resolvo fazer as coisas certas, eu sinto que algo está errado. E os pensamentos voam a tiros, químicas, depressões... Será que consegue me entender? É, acho que realmente não presto.

Daqui a mais ou menos uma hora eu irei para casa. A mesma viagem de alguns quilômetros rumo à mesma coisa de sempre. Voltarei à tristeza de praxe, à melancolia urbana. É a marca de uma época sem grandes sonhos. Sem tanta beleza. Época de reflexões e nenhuma real esperança. Acomodados com a desgraça de uma geração que não age, mas se diz rebelde. Uma geração de covardes da qual eu também faço parte. Usar drogas não é forma de protesto. Mas sempre estamos lá. Amarrados e enfraquecidos pela falta da prática, da ação. Continuando o velho discurso de ideiais que não se transformaram em realidade, só continuaram nos papéis. Textos que filósofos, eu, você, aquele do outro lado da rua, escrevemos quando pensamos em uma real mudança, do que quer que seja.

Quero realmente fazer alguma diferença com a minha arte, mas o tempo corre tão depressa. Será que eu posso ser aquele 1 que fará alguma mudança relevante? Do que valeu a minha vida? Correr além do tempo talvez seja a solução. Criar forças...

No fundo, hoje eu descobri que a única liberdade que exercemos de verdade é a de pensar. Só. E talvez escrever os pensamentos, como faço agora. Acabamos então nos tornando viciados na arte de pensar e não na de agir. Portanto, vou te abandonar... Minhas queridas reflexões sem futuro. Vou comer alguma "coisa" e pensar em alguma "comida" que me retire da atual impotência de existir.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Equilíbrio?


Quase não acreditei. Depois de tanto tempo, um abraço se concretiza na amargura de um momento não esperado. Amargura de tantos momentos pra ser mais exata. Não parece mais com nada, nem a falsa inexistência do meu sentimento que já fora bom.

Deixando a hipocrisia de lado. Confesso meu nervosismo e inquietação, minha sensação de "mundo caiu". É tão estranho. Uma dor antiga e enterrada, interrompendo minha lágrima que se mantém grudada ao meu olho em sinal de força. Qual força? Nem sei.

Logo num dia chuvoso que me cai tão bem. Desinteressante cair o mundo.Nublado. Frio. Retomo minha poesia insensata. Desprezo o finíssimo e literal sentimento que ainda permanece e meu medo em deixá-lo florescer. Odeio essa sensação!
Por isso, prefiro manter segura a imagem de que abracei somente um pedaço de carne podre racional e mesquinha. Quase morta.
Tenho certeza de que não quero. Ponto.
Pegue as malas. Vá embora. Voe.
Passe a roleta, saia do ônibus, acenda um cigarro. Sorria! Isso nunca existiu.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

...

Essa é a madrugada em que a tristeza consumiu o resto de qualquer outra coisa que eu pudesse sentir. Sozinha. Sem fome. Só o que me faltava são grilos, mas aqui pela urbanização é difícil ouví-los. Mas estão lá. Assim me sinto. Prazer, meu novo nome é grilo.
Nem chuva cai esta noite. Adoraria, mas hoje não. A solidão ameniza...O silêncio é esbofeteado pelas gostas de chuva que caem bravas no chão. Ela teima em não cair. Eu teimo e não aceito.
Cai chuva... cai...
Por mim.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Carta de Fumaça, texto antigo... 01/07/08



















Cartas nunca entregues...um dia vão explodir em mim. Chega um dia em que não se aguenta mais estar calado. Se quer falar, se que sentir, se quer olhar na cara, chegar perto, dar um beijo e ir embora... Não quero mais, só que não aguento mais olhar aquela carta... A carta conversa comigo sobre o passado, sabe. Me lembra do quão fui retardada. Me enche a cara de tabefes. Me faz sentir uma merda e depois de tanto eu pensar me faz dormir. A carta me destrai, me atrai, me trai, me enlouquece.
Fiz a carta mais bonita que eu podia fazer.Passei uma madrugada inteira pra terminar e não entreguei! O pior é que agora nem vale a pena entregar. Tanto faz, já não dá! Têm pessoas que não merecem cartas. Geralmente, essas mesmas pessoas, não merecem amor... Embrulhei a carta toda com cera derretida de giz vermelho pra sempre lembrar de mim.Escrevi a canção mais bonita daquela banda que a gente adorava, que expressava o que eu chegava a sentir naquela noite. Arrumei a carta como se me enfeitasse pra ti. Mas não bastava. Eu voltei atrás. Esperei no cais um amor que nunca existiu. Comprei as passagens pra liberdade e diversão. Mas voei sozinha. Como descobri que sempre fui. Não em relação à amizade, mas à amor sem ser fraterno. Mistério pra mim... Histérico. Colérico. Minha vontade é a de estrangular teu riso e qualquer felicidade. Não quero ver suas melhoras, avanços profissionais, muito menos amorosos... Odiei viver na mentira. Odiei ser só mais uma. Odiei ser ele o próximo da noite. E você. Mais você que ele. Odiei viver. Odiei perder quase um ano de vida. Vivencio agora uma nova fase. Onde espero que tudo venha diferente.novas cores.novas escalas.novos tons.E cartas entregues sem rancor. Pois aquela lá. Essa mesma do começo do texto. Ainda tá em cima do guarda-roupa me chamando pra mentira. Mas nessa eu nem trisco. A gota de giz era sangue morto. Não servia pra mim. Não era bonito...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sempre cheia de demagogias!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

eutanásiadiária


Em seu quarto não queria que houvesse luz.
Pensou em dizer suas últimas palavras... O desfecho de uma história real. Sua vida, não era o mar de rosas como diziam. O amor... não era aquilo tudo que todos diziam. O nada era o que sentia. Agonia...
" Pensei em deixar meus amigos, minha família.
Pensei em deixar de amar... E fiz. Por isso tendi a chorar toda vez que os encontrava. Todo dia. Toda noite. Quem me vê assim não sabe o que planejo. E que meu plano é falho completamente. Quando acordo e acendo um cigarro. Tal prazer que mata-me aos poucos... Olho da janela embaçada a chuva e o frio. Sorridentes que gritam bom dia ao me ver... Aceno em contra partida. Não digo nada. As coisas pareciam tão melhores um ano ou dois atrás... Eu não parecia tão insuficiente como agora. Meus vícios que não deixam. É tudo um sonho quando durmo. Pesadelo é quando acordo. Um só acorde triste. Um só. Freneticamente em meus ouvidos nervosos. Não faz o sentido do que sinto... pois quase nada sinto. Meus pensamentos inertes irregulares me perturbam. Um ou dois minutos esquecidos e nunca mais lembrados... Me olho no espelho relutante...
"Quem és tu?"

"Quem és tu hoje em dia?"

"Quem fora? Não te lembras...???"

"Amordace tua mão e corte-a...
Já que queres sentir algo."
E eu olhava minhas mãos, e olhava no espelho, e olhava a janela e os barulhos da rua festiva...
Meus pequenos prazeres sem sentido... e eu sentado o dia inteiro. Não sinto minhas pernas. Não ando pelas ruas. Não vou ao encontro de mulheres... Mulheres, quem diria? Não sou quem eu era.
Sou o especialista do meu corpo enfermo...

Morro todos os dias e todas as noites quando me vejo.

Morro...

Mas não é suficiente dizer-te. Pois está aí, amigo...

E sorri ao ver-me.

Mas está aí de pé...

E levanto a cabeça para olhar-te...

Enquanto reclama da vida, observo-te...

Enquanto anda na rua, observo-te...

Estou de olhos arregalados.

De braços amordaçados.

Descontrolado

Sangrando."

Morre pela vil existência do pensar...
Exagero do pensar... Mal funcionamento. As coisas talvez sejam mais simples Do lado de cá, de dentro... E mais simples ainda quando não morrem, somente se enfraquecem para se reerguerem mais tarde... Melhor que antes. Com novos prazeres. Novos romances.
Lua cheia, vinho suave, rosas vermelhas...
Retire as teias, arume tudo, se oriente...

E observe-se!
De qual lado está?!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Fórmula Forma do Acaso


E vem à tona outra vez...
Sempre me encaixo no amor de uma forma ou de outra. Sempre me arrebata onde quer que eu esteja e sem que eu queira.
Como não quero agora.
Sem certezas. Sem promessas. Sem desencantos. Por enquanto.
E vem à tona outra vez...
Sempre me pergunto se é certo de uma forma ou de outra. Sempre me amordaça sem força, mas amordaça sem que eu queira.
Como não quero agora.
Sem dúvidas. Sem rancores. Sem asperezas. Por enquanto.
Não preciso aguentar um amor imaturo.
Um amor mentiroso. Um amor de quem diz, mas não sabe amar. Não preciso e não quero agora.
E vem à tona outra vez...

E outra...
E sempre...

Não quero chorar em lugares públicos...
Sem aguentar e abaixar a cabeça... pra que todos olhem pensando eu ser um pessoa triste
Que momentaneamente sou.
Aprendi a fórmulha anti-tristeza
Essa se chama mentira Nem sempre funciona é claro... Mas quando necessária mesmo, não me deixa na mão de forma alguma.
Forma alguma...
O amor não tem fórmula. Não tem corpo. Não tem mordaça. Não tem peso (como diz uma amiga).

Demorei pra entender o amor unilateral de quem se idolatra como um objeto a pessoa amada.
Demorei a entender por viver isso. Por dizer não aguentar. Por pensar que sem aquela já era o meu amor. E o amor nunca 'já era'...
E vem à tona outra vez...

E outra...

E sempre...

E não podemos fazer nada.
Somos incapazes de não amar o amor... Pode não externizar, mas sempre estará lá... Enquanto se acredita.
Cansei de lutar por amores incapazes.
O amor não precisa de luta, de faca, de sangue. Só precisa de fato ser sentido.
E os sentidos mostrarão...
O meu vermelho se encherá de vida...de fogo... de desejo!
Amor não precisa ser todo dia e dito todo hora... Amor não precisa de grades... Amor não precisa de nada... Só é. E ser já basta...