Reflexões Dispersas de um Carnaval sem Samba
Sensação de morte. Há tempos eu não me sentia assim. Minha fuga desceu pelo ralo e acabei chorando durante o sono as mágoas da vida consciente. Chorei à noite e pedi socorro. Nem me lembro mais. A tristeza chegou e eu a tratei como uma noite de sexo casual. No fundo é como se tudo perdesse o sentido. Eu estou numa chácara ao redor de várias pessoas que riem. Eu olho a paisagem como um filme. A silhueta das árvores. Lindas, porém tristes. Será que consegue me entender? E toda essa máscara também parece com uma noite de sexo casual. Patética. Se não, não sentiríamos falta de alguém único para estar junto. E todos continuam rindo e rindo e rindo e...
2° Dia. Silhueta das montanhas. Canto de pássaros. Não se vê nenhum tipo de asfalto. Aqui não é cinza. As folhas verdes amareladas sorridentes...
Aqui eu respiro diversas sensações visuais. Aqui é tão lindo, uma pena ter grades para a propriedade. Estranhamente, viajei alguns quilômetros para desfrutar dos mesmos prazeres da cidade. Há uma nuvem cinza que rodeia esse lindo céu posto acima de minha cabeça. Aqui, talvez, eu me sinta menos fracassada. Aqui, não tenho que virar a cara para verdades, eu simplesmente às esqueço. Uma tacada na sinuca, uma vitória ou não, uma bebida, uma conversa, um cigarro. Tento não querer mais nada. É tenso! Parece que quando eu resolvo fazer as coisas certas, eu sinto que algo está errado. E os pensamentos voam a tiros, químicas, depressões... Será que consegue me entender? É, acho que realmente não presto.
Daqui a mais ou menos uma hora eu irei para casa. A mesma viagem de alguns quilômetros rumo à mesma coisa de sempre. Voltarei à tristeza de praxe, à melancolia urbana. É a marca de uma época sem grandes sonhos. Sem tanta beleza. Época de reflexões e nenhuma real esperança. Acomodados com a desgraça de uma geração que não age, mas se diz rebelde. Uma geração de covardes da qual eu também faço parte. Usar drogas não é forma de protesto. Mas sempre estamos lá. Amarrados e enfraquecidos pela falta da prática, da ação. Continuando o velho discurso de ideiais que não se transformaram em realidade, só continuaram nos papéis. Textos que filósofos, eu, você, aquele do outro lado da rua, escrevemos quando pensamos em uma real mudança, do que quer que seja.
Quero realmente fazer alguma diferença com a minha arte, mas o tempo corre tão depressa. Será que eu posso ser aquele 1 que fará alguma mudança relevante? Do que valeu a minha vida? Correr além do tempo talvez seja a solução. Criar forças...
No fundo, hoje eu descobri que a única liberdade que exercemos de verdade é a de pensar. Só. E talvez escrever os pensamentos, como faço agora. Acabamos então nos tornando viciados na arte de pensar e não na de agir. Portanto, vou te abandonar... Minhas queridas reflexões sem futuro. Vou comer alguma "coisa" e pensar em alguma "comida" que me retire da atual impotência de existir.





